Blog do Cinen de Sousa


03/02/10


TRANSVERSAL

 

Poesia

Dá-me alento

 

Proteja-me da imobilidade

 – aflição de quem espera!

 

Amiúde

Canto e ninguém me ouve – ai de mim –    

Minha mãe, minha irmã, minha filha... 

 

Manhã, vara o chumbo da melancolia

Tece minhas fibras (uma a uma)  

 

Até verterem  

Um atino sequer de alegria

E me proteja da indiferença – amém!

 

 

Cinen de Sousa

Escrito por Cinen de Sousa às 04:22:03 PM
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15/01/10


Três poemas de Cassiano Nunes

Há desses poetas que a eles sempre retornamos, e a cada retorno temos a mesma sensação de que estamos lendo pela primeira vez versos que de há muito entoam suaves cantilenas em nossas almas, Cada releitura é uma estação que volta, águas purificadoras que amortecem sedes renovadas. Entre tais poetas se insere Cassiano Nunes. Toda vez que nos deparamos com seus poemas, sentimos sua voz interior, de maneira plástica, rítmica, transmitir experiências de um terno e dolorido lirismo. – Antônio Roberval Miketen.

 

NOTURNO Nº. 1

 

Nunca me sinto pobre

Ao contemplar as estrelas

 

Qualquer doido

(eu)

Possui

O latifúndio do céu

 

Aguardente negra e gratuita

A noite me embriaga

 

Sonho melhor

Acordado

 

BREVE SERENATA

 

Como posso queixar-me

De solidão

Se possuo a noite

E a sua canção?

 

A noite é tão vasta

Que me perco nela!

Amor! Acende a estrela

De tua janela!

 

BLUE

 

Versos, como os que escrevi

Outros escreverão

 

Canções, como as que inventei

Outros cantarão

 

Já me substituiu

Artesão mais hábil

Na oficina

 

Outras bocas te revelarão

Volúpia mais fina

 

Tudo o que morrer comigo

Em mais bela forma

O mundo verá

 

Perdoem-me

Pela parcela mínima

- porém única -

Que não se repetirá

 

Cassiano Nunes – Autor de “Prisioneiro do Arco-íris” - 1962

 

Escrito por Cinen de Sousa às 09:51:27 AM
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30/12/09


        SONETO DE NATAL

Um homem, – era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço no Nazareno, –
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
"Mudaria o Natal ou mudei eu?"

 

Machado de Assis

Escrito por Cinen de Sousa às 04:57:06 PM
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14/12/09


Na vida

É preciso tanto serenidade

Quanto delírio

Se tiveres mais de um pão

Vende um

E compra um lírio

Canções de Camponeses do Japão

(Tradução: Yun Jung Im)

Escrito por Cinen de Sousa às 01:03:13 PM
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11/12/09


Con(VERSO): Walber Farias e Cinen de Sousa

 

Pacato Cidadão

 

Cinen de Sousa, natural de Teresina/PI. Um misto de simpatia e humanidade.  Descoberto em meados de 85 nas oficinas da Thesaurus Editora. Na época responsável pela Área de Projetos Gráficos.  O cuidado e o zelo com que trabalhava, e a atenção especial com a poesia e os poetas, despertava admiração de todos ali. Dizia-se privilegiado e feliz com o que fazia. E não era pra menos, pois contava na sua equipe com pessoas envolvidas de corpo e alma, nos projetos e editoração de boa parte dos escritores de Brasília. Trabalhava e convivia com figuras como o poeta Omar Brasil Lobo, um revisor formidável e profundo conhecedor de editoração, - uma espécie de guru.

Desse convívio veio a conheceu e compartilhar da amizade dos poetas/escritores; Fernando Mendes Viana, Domingos Carvalho da Silva, a professora Maria de Lourdes Teodoro, Salomão Sousa, José Godoy Garcia, do multimídia e também poeta Hugo Mund Junior, da artista plástica Naura Timm, dentre outros. Foi também aluno aplicado e merecedor de elogios de Nanche Las-casas.

Em 86, para nossa surpresa, nos chega às mãos o livro: “Pássaros de Vidro”, com apresentação do professor de literatura da UnB, Cassiano Nunes; autor de “Prisioneiro do Arco-Íris, e maior conhecedor da obra de Monteiro Lobato.

 

Walber Farias: O que o trouxe a Brasília?

Cinen de Sousa: Sou filho de ex-candango! Na época da construção de Brasília a palavra “candango” era usada para designar os operários. Felizmente hoje Candango é todo aquele que nasce ou reside em Brasília. Como a maioria dos nordestinos, meu pai veio trabalhar na construção desta cidade. Bravos Nordestinos! Se hoje Brasília não representa na sua totalidade o que esperava seu idealizador, pelo menos no que concerne a interiorização do Brasil; hoje, isto é fato. O que nos leva a crer na capacidade intuitiva, ou quase profética de JK, no pedido a Niemeyer: “Quero um palácio que, daqui a cem anos, ainda seja admirado", certamente se referiu a cidade... Meu pai em suas muitas histórias/conversas nos dizia que o que mais chamava atenção era o sentimento que todos ali tinham - os operários - uma espécie de fascínio por aquele sonho alheio; o sonho de JK, que como o tempo se tornara de todos... Cheguei em 83, e o que me trouxe aqui, foram as várias oportunidades, diferentemente de Teresina, capital do Estado do Piauí, uma cidade com pouco mais de 377.000 mil habitantes e poucos recursos para investimentos. Maneiras que aqui estou eu, vislumbrado e bebendo dessa luz...

 

Walber Farias: Os artistas e intelectuais consideram Brasília uma cidade muito bela, seus traços... O céu de Brasília; quem já não ouviu cantado! E você?!

Cinen de Sousa: Todos querem cantar Brasília. As homenagens são tantas: justas e belas... A prova disso é a música “Suíte Brasília” de Renato Vasconcelos, considerada o Hino da Cidade, a meu ver, a mais bela das homenagens à Brasília. Tom Jobim e Vinícius de Moraes vieram para cá a convite de JK, e daí saiu a “Sinfonia da Alvorada”, música: Tom Jobim e texto: Vinicius de Moraes, também belíssima. Olhando com o carinho que a cidade merece, Brasília representa mais que sua Arquitetura. Brasília é bem mais que levam os postais... O céu de Brasília é enorme, de um azul deslumbrante. Às vezes parece palpável; parece mar, mas infelizmente não é...

 

Walber Farias: Sua estréia se deu nos Jornais Alternativos; fato que marcou bem os áureos anos 80, em vários cantos do país. E o primeiro livro?

Cinen de Sousa: No meu bairro dizia uma máxima de que todos que ali moravam, eram verdadeiros artista... Lembrando Euclides da Cunha, o nordestino é antes de tudo um forte, eu acrescentaria que o Nordestino tem que ser um artista nato. Sabe aquela de ter que matar um leão por dia... É a mais pura verdade! No Nordeste o sujeito tem que ser especial, tem que ser artista no sentido mais amplo da palavra.

Tive a oportunidade de estudar numa escola que desenvolvia um Projeto Piloto no Estado. Dentre outras coisas; lembro-me que o Grêmio Estudantil era atuante, fazendo valer o princípio de alunos participativo, ou seja, todos tinham que praticar alguma atividade; fossem nos esportes, lazer e principalmente cultura... Ouvia-se nos intervalos/recreio, o que havia de melhor, a exemplo de “Ébano” de Luiz Melodia, “Começaria Tudo Outra Vez”, “Galope” de Gonzaguinha, "Moça" de Wando e muitos outros que despontavam na MPB. Ali se fazia uma espécie de Movimento Cultural que partia da escola para a comunidade, indo parar nas bases eclesiásticas e políticas. O que leva a crer que foram em meio a estas coisas que tudo começou... O Mural da Escola, um texto em homenagem as mães... Depois vieram os Jornais Alternativos, e daí por diante. Em 81, lancei “Coração esguelha Bicho”, com apresentação do Acilino Madeira e ilustrações do Antônio de Pádua Amaral. (continua...)

Escrito por Cinen de Sousa às 06:08:26 PM
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Walber Farias: Qual sua fonte, e o que o inspira?

Cinen de Sousa: Todo dia acontecem coisas novas. Todo dia renascemos e morremos um pouco... Adoro o poema “O Dia da Criação”, de Vinícius de Moraes, na parte II, onde são relacionados acontecimentos de um dia de sábado. Estar atento aos acontecimentos ao nosso redor...

A leitura ajuda muito. No entanto, nunca fui um voraz leitor! Acredito que a leitura está ligada diretamente ao jeito de ser de cada pessoa, lemos aquilo o que nos interessa. Mas, sendo eu filho de professora, logo na infância fui estimulado à leitura. Assim descobri Rubens Braga. Gostava da maneira de como ele abordava o dia-a-dia das pessoas, nas suas peculiaridades. No colégio fui aos poucos me identificando com a poesia e aprendendo a gostar de ler Carlos Drumond de Andrade, Pablo Neruda, as crônicas de Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Umberto Eco, parte da obra de Jorge Amado... Da literatura piauiense, “Os que bebem como cães”, de Assis Brasil, o escritor piauiense de maior destaque no cenário nacional, “Rio Subterrâneo”, de O. G. de Carvalho, e o poeta H. Dobal, que passei a conhecer/ler melhor depois que cheguei a Brasília. Quando ainda adolescente participei de um grupo de amigos, que trocávamos idéias, livros e discos. Mas, foi morando em Brasília e o convívio com povos de outros lugares/países que estou tendo a oportunidade de ler e conhecer coisas novas. - Nada em especial que me faça mudar o jeito de andar com as palavras...

 

 

Walber Farias: O que você atribui a um bom poeta?

Cinen de Sousa: A pessoa humana do poeta. Ás vezes brinco, dizendo que existem POETAS e pessoas que fazem poesia... O poeta é aquele que tem entre outras coisas, a alma de poeta. Em Teresina temos um caso assim; o POETA William Soares. Ninguém o chama pelo nome, o chamamos de POETA. Ainda que seja Torquato Neto, o poeta de maior reconhecimento/expressão, ainda assim, o POETA em Teresina é William Soares. Com todo respeito! A duras penas tento fazer o melhor... Tenho me dedicado para não ser só mais um no universo de bons poetas.

 

Walber Farias: Sua poesia é uma poesia lírica, romântica, não?! 

Cinen de Sousa: Sim! É quase impossível não ser romântico, tendo nascido e vivendo num país como o nosso... Apesar dos contrastes! Um país de inúmeras maravilhas; o nosso futebol de Pelé, o samba de Noel e Paulinho da Viola, o carnaval de Joãozinho Trinta. De maravilhas naturais; o Pantanal Mato-Grossense, o Delta do Rio Parnaíba, que só conheço de fotografias; - tenho medo de viagens de barco, jamais faria um cruzeiro... Sim! A Floresta Amazônica de Chico Mendes... Sou um apaixonado por tudo que é belo. Ah! Os olhos da poetisa Maria Tereza... (Risos!). Quão inspiradores; - “aquele imenso canavial...”. Ainda muito cedo percebi que o amor é o caminho mais fácil de dizer as coisas; não importando a quem, quando, e onde... Escrevi “Pássaros de Vidro”, em puro êxtase, numa destas enfadonhas tarde de Brasília. Ah, se pudéssemos ser românticos sempre...

(continua...)

Escrito por Cinen de Sousa às 06:07:57 PM
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Walber Farias: Você diz que não definição a poesia que faz. Sendo assim, o que credita que escreve?

Cinen de Sousa: Houve um tempo em que os jovens poetas da minha cidade escreviam/pinchavam os muros, (naquela época já havia proibições...) com lindas frases românticas às suas musas, entre umas e outras de efeito político. E vislumbrava com aquilo, achava que fazia efeito imediato nas pessoas... A reação que aqueles textos provocavam. Na verdade, ali se desencadeava uma manifestação poética, muito embora não se tivesse a exata noção do fato.

Hoje trabalhando com editoração, percebo a dificuldade que é publicar um livro. Se a poesia tivesse mais espaços... Acho muito legal as atitudes/inventivas do poeta Chacal, os “Varais de Poesia” por exemplo, que ele faz, na praia, no calçadão... São coisa que dão movimento ao texto; o fazer mexer com as pessoas. Acho válido, muito louvável.

 

Walber Farias: O que considera fundamental para seu processo criativo?

Cinen de Sousa: A originalidade e a síntese, mescladas a uma dose sutil de bom humor. A propósito, citaria um trecho da apresentação do professor Cassiano Nunes no livro “Pássaros de Vidro”, onde ele diz: A Poesia fundamentalmente busca a capitação do essencial, do mais íntimo, e, por conseguinte, elimina tudo que é prosa, mero descritivo, o anedótico, o didático, o político... A Poesia é uma linguagem tênue, porventura etérea. Abstrai, sintetiza, dissolve impurezas, o áspero biográfico. Retém apenas o medular dos sentimentos, o cerne mais profundo das paixões. Rejeita o meramente confessional, que lhe parece indiscreto, importuno. Poesia é ultra-síntese. Mais do que isto: poesia é elipse. Com muita razão dizia Verlaine que reduzia Poesia à música, à vaga música, que “todo o resto é literatura”. Talvez até boa literatura, mas não poesia.

 

Walber Farias: Você é amigo do poeta/repentista Amargedom, e também agitador cultural de Brasília. Por que não participa dos eventos do qual ele organiza?

Cinen de Sousa: O Amargedom é uma grande figura. Todo dia aparece com uma idéia nova. Tem muita vontade de ficar rico, se dar bem na vida... Somos amigos de trabalho! Sou grande incentivador dele. Recomendo/sugiro sempre a usar o nome verdadeiro: Gustavo Dourado. Em 91 fui responsável pelo projeto gráfico do livro “Linguátomo”. Por sinal; um elogiável projeto e um livro recomendável. Com relação aos eventos que ele promove; pra falar a verdade eu até que participo, bem modestamente. Em particular, evito os recitais... Pelo fato da timidez e principalmente por não saber recitar. “Recitar é uma Arte”. Recitais me lembram os amigos e poetas Carlos Taveira, Menezes y Moraes e Cassiano Nunes, estes sim; são verdadeiros craques na Arte de Recitar. Certa vez na Livraria Presença, aquela da frente do Hospital de Base, numa noite de autógrafos dos muitos que lá aconteciam, subi ao palco para ler um poema meu e nada sóbrio, falei meio hora do “Poema Sujo” de Ferreira Gullar. Quem me conhece sabe bem o quanto sofro do pânico de público.

 

Walber Farias: Como você ver a nova geração de escritores/poetas, em especial os editados em Brasília?

Cinen de Sousa: Já fui mais exigente! Hoje é quase uma necessidade que tenho de acompanhar o que estamos publicando. Há muita gente boa... Mas, seria pretensão apontar algum caminho. Tenho observado que a galera vem fazendo/escrevendo com mais liberdade. Fugindo de algumas variantes de estilos, métricas, rimas e etc. A moçada jovem está mais solta. Creio que o resultado disto é que venha ser a grande surpresa.

Nicolas Beher, TT Catalão, Luis Turiba  e outros, poetas de versos livres e bem humorados. Acredito que humor e jeito despojado na poesia recente, é que é o grande barato, a novidade. 

 

 

Walber Farias: Finalizando ao que chamo não de entrevista, mas sim; um agradável bate-papo, Cinen de Sousa, fique avontade e nos diga o que pensa fazer e ainda não fez como cidadão e poeta?

 

Cinen de Sousa: Pretendo continuar estudando pra não ser médico, nem maquinista de trem... (Risos!) Repetir as coisas me dar medo. Se pudesse fazer algo parecido com os aguapés; que ao mesmo tempo em que despolui, embelezam os rios... Ah, isto sim, tenho certeza faria de mim um ser humano melhor. Mas fazer o que?!

Tenho fascínio pelos trabalhos manuais. Hoje sou um artesão com os dias contados. O computador está vindo como um facilitador, um aliado... Certamente em breve, algo irá mudar a minha rotina. Recentemente fiquei muitíssimo impressionado com um documentário sobre Artur Bispo do Rosário, - sua obra: Suas múltiplas possibilidades estética, possíveis de discussão e avaliação, e principalmente, sua contribuição para a arte brasileira de vanguarda. Em seguida, a melhor parte; onde reciclava e reedificava com minúcia e riqueza de detalhes os objetos; materiais descartados, encostados, inservíveis. Na verdade limpava o mundo, sem dúvida uma atitude/processo elogógico. 

Outro dia estava eu de visita a cidade de Pirenopólis/GO, assistia na TV/local, um programa que apresentava um cara fazendo violas numa pequena oficina dessas nos fundo de casa. Fiquei deverasmente boquiaberto! Ah, valeu a visita àquela cidade... Como sempre, a velha e fascinante idéia de liberdade... Sou casado com Oneide Ferreira, uma artesã e professora de pinturas.

Apesar de não ter nenhum conhecimento técnico, tenho maior gosto pelas Artes Plásticas. As cores, telas, pincéis, todo me encanta.

Se me fosse dado escolher e tivesse talento, certamente seria um artista plástico. E adotaria a mesma proposta do universo de Bispo do Rosário.

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Bate papo realizado em abril de 91, publicado na 2ª edição do jornal “O Gato”, Ano II, Brasília/DF. Mantida a reprodução do original.

Escrito por Cinen de Sousa às 06:07:13 PM
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20/11/09


Amor Mudo

 

Ardendo de amor, as cigarras

Cantam; mais belos porém são

Os pirilampos, cujo mudo amor

Lhes queima o corpo

 

(Canção de Camponeses do Japão)

Tradução: Herberto Helder

Escrito por Cinen de Sousa às 05:45:47 PM
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19/11/09


A R T I M A N H A

 

Para o artista Antonio Amaral

 

Jogar bola

É fácil; é brincar de correr

Com as sinuosas pernas do Mané

E saracotear

 

Fazer poesia

Não exige maior destreza

A manha; saber por uma pedra no meio caminho do mundo

Depois ser gauche na vida

 

Cinen de Sousa

Escrito por Cinen de Sousa às 03:31:50 PM
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18/11/09


Verde que te quero ver-te

 

                               Para o poeta William Soares

 

Pelas quintas quintais e alamedas

O benevolente verde da cidade...

 

Carnaubeiras

Na Antonino Freire.

 

Na Vila do Poty

Amendoeiras algarobas jatobás figueiras...

 

Oitizeiros resistem bravos e majestosos

Ao tempo e ao des’envolvimento.

 

Caneleiro Símbolo!

Belo e medicinal; - oxalá que cure

(O mal de Alzheimer...)

E salve a Dona Maria.

 

Cinen de Sousa

 

Escrito por Cinen de Sousa às 01:34:51 PM
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16/11/09


CHOVE CHUVA

 

                     Ao músico e parceiro Francisco Carlos - Titá

 

Chuva fina, gris 

Chuva doce, cristalina 

Chuva boa, chuva...

Bendizei todos - Chove em Teresina!

 

Chuva doce

Chove fina

Que mote bom

Que loa boa

 

Como eu não tenho obra-prima

Vou de Cajuína - Made in off Teresina!

 

Cinen de Sousa

 

Escrito por Cinen de Sousa às 11:15:18 AM
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07/11/09


Pequenino Gusthavo

 

Sábado - 07 de novembro

Céu encoberto

Pouco sol e nuvens esparsas

 

Qual rima desacelera euforia?! 

 

Venha, não seja tímido

Se o mundo não lhe é familiar

Eu arrulharei pra ti pequenino

 

Sábado - Primavera de 2009

Que belo dia

Para nascer meu filho

 

 

Cinen de Sousa

 

 

Escrito por Cinen de Sousa às 12:06:15 PM
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29/10/09


Candura

(ou Advertência?)

                     

                   Para o mestre Acilino Madeira

 

Quem tem um  B e m  

Carrega consigo um tesouro

Cristalino: Azo Precioso

 

Quem tem um  B e m

Sabe aonde ir com fé

Combina sol e chuva, música e torvelinho

O coração vai aonde dar o mar

 

Pleno de si

A vida vale cada gesto vizinho 

Cúmplice a natureze lhe sorrir

O sol brilha amarelo

 

Mais a mais, deu no 'Fantástico'

Quem não tem um  B e m

V i v e  n a  M ã o !

 

Cinen de Sousa

Escrito por Cinen de Sousa às 11:13:47 AM
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24/09/09


O arco-íris

 

Senhor!

Falta-me inventar

Algumas horas flavas

Falta-me compor

Uma música singela.

 

E aprender

Contemplar mais arco-íris.

 

Senhor!

Não permita que eu morra

Conceda-me a graça de viver contemplando mais

Os rios, as floresta, os bichos

E a providência divina - a Luiza Brunet.

 

Cinen de Sousa

Escrito por Cinen de Sousa às 12:15:50 PM
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16/09/09


TRAGÉDIA DO BARROCÃO

(Sobre o velório de Torquato Neto)

 

a navilouca em pane

encalhou no porto

fantasmas e vampiros

sumiram no naufrágio

e até hoje (quando falo)

nenhum sobrevivente ou ressuscitado

explicou o lance de um bilhete frio

deixado – às pressas – pelo comandante

sob o convés-banheiro da nau tropicalista.

no barrocão – A RUA

outrora inspirativa

chorou de amargura a morte do poeta

vestiu-se de betume

sucumbiu aflita

ante a multidão

e a nau encalhava.

72 – novembro

parece que foi ontem

o pai, a mãe chorando

o nômade/FILHO/único

alfa & ômega

beta & gama

razão de muitas notícias alegres

muitas preocupações RIO-BAHIA

visitas, beijos e doces

de buriti, de caju.

ficou trisTERESINA

ficou triste

a tua rua, Torquato, estava feroz... sombria!

o Dr. Heli calado, tua mãe do outro lado

rezando a ave maria

fim de tarde-cinza-chumbo

“Quem me dá notícias de Thiago?

não, ANA não

pra mim, basta “...

um lindo esquife macabro

três castiçais de alumínio

você calmo ali dormindo

como num filme de horror

ficou trisTERESINA

ficou triste

pessoas fazendo fila

pra sacarem tua juba

pelo vidro do caixão

comiam teu visual

dava uma cena ideal

para um filme do Polansky.

O LOURO CINEGRAFISTA

em nome da obrigação

subiu na mesa da sala

filmou tua tela e partiu

partiu também pro teu mundo

num pára-quedas, na falha

nas transas da tropicália

tua cabeça venceu

Gil, Cae, Gal Bethânia

quarteto favorecido

no álbum dos esquecidos

tem Capinam, tem você

novembro - 72

trisTERESIA chorou

o monge parou no leito

e o boi-bumbá em silêncio

cantou lá no barrocão

como se tudo morresse

como se tudo sumisse

e Teresina em protesto

subitamente esfriasse

novembro – 72

trisTERESINA inda chora

a morte do seu poeta

Torquato Neto – seu filho.

 

Venâncio do Parque

 

 

 

Escrito por Cinen de Sousa às 09:46:11 AM
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17/08/09


TERESINA, Cidade Luz

(Poema alusivo ao 156º. Aniversário)

 

I.

 

Sob as graças da fé

E o nome da cordial Imperatriz

Nascera altiva, vistosa entre - rios...

A propósito, Saraiva planifica reticulados tabuleiros

Traços retos, raios em vértices, futurista.

(Às vezes pouco distraída...)

 

Não muito distante

Ás 5 horas da manhã

O apito do trem anunciava os anônimos chegando

Sem sobressaltos à paisagem aparente

Ás 6, já refestelada de sol

Cristalina, amante de poetas.

 

 

II.

 

Hoje mais avultada

E vertical, se arvora a engolir quintais

Na Benjamin Constant, nº. 1905

Há exato um século, ainda contam de memória

Sobre um mocó repleto de estórias

E algumas meias-patacas.

 

Teresina, eu também vou te cantar

O meu atrevido amor...

Senão a inaudível dor

Senão a inquietude de um poema sem metáforas.

(Menino e já sabia das moedas do avaro tio Mariano, enterradas no quintal,  

e o peso daqueles mensuráveis apitos.) 

 

Cinen de Sousa

 

Escrito por Cinen de Sousa às 03:21:23 AM
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12/08/09


Pré B-r-o-bros

 

Desfaça

Essa marra

Do rosto

 

Ponha

Nele um sorriso

Afinal

É Agosto

(Cinen de Sousa)

 

 

Escrito por Cinen de Sousa às 05:04:05 PM
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24/07/09


ROBERT JOHNSON

A LENDA DA ENCRUZILHADA

 

 

As lendas podem vir de tradições populares, de eventos históricos cuja autenticidade não se pode provar, de mentes fantásticas e/ou irônicas. Provavelmente nunca saberemos a verdade de nenhuma delas e é isso o que as tornam tão sedutoras e especiais.

 

Do folclore nacional (saci, curupira, mula-sem-cabeça, caipora) aos boatos da nova era que permeiam nossa imaginação e aguçam nossa curiosidade. O hambúrguer do Mc Donalds é mesmo feito de minhoca? A Coca-Cola realmente corrói os dentes e desentope pia? Os elefantes temem os ratos pelo simples fato de os pequenos roedores adentrarem em suas trombas? O vírus da AIDS foi mesmo criado em laboratório? As pegadinhas do João Cleber são grandes farsas (dentre uma infinidade) da televisão brasileira?

Na música a coisa não é nada diferente. Elvis não morreu e vive numa ilha junto com Tupac Shakur. David Bowie dormiu com Mick Jagger enquanto Keith Richards cheirava as cinzas de seu pai. Michael Jackson não tinha nariz e quem morreu mesmo foi o Paul McCartney. Marilyn Manson arrancou duas costelas pra fazer sexo oral em si mesmo de tanto ouvir que ele na verdade é o Paul Pfifer do seriado Anos Incríveis. Lucy In The Sky with Diamonds tem as iniciais que compõe a sigla LSD. Enfim, elas existem e continuam a se reproduzir e a se distorcer a esmo. Mas de todas as lendas, de todo o universo musical, uma se destaca.

Robert Johnson é um dos nomes mais cultuados do Blues. O impacto que esse homem tem na história do Blues é tão potente quanto nomes consagrados como Muddy Waters, B.B. King ou John Lee Hooker. Seu jeito inovador (para a época) de tocar é tão interessante quanto as lendas que cercam sua breve vida que foi encerrada aos 27 anos (a data exata é incerta), iniciando mais uma lenda: A maldição dos 27 (só pra reforçar, Hendrix, Joplin, Morrison, Cobain. Todos exemplos de morte aos 27 anos).

O TRATO COM O DEMO  

Seu nome verdadeiro é Robert Leroy Johnson e como haveria de ser, nasceu e cresceu no Mississippi (um dos berços do Blues, juntamente com Louisiana, Geórgia e Alabama). Reza a lenda que Johnson adquiriu incrível talento para tocar vendendo sua alma ao diabo perto da meia-noite, numa encruzilhada da rodovia 61 com a 49, levando consigo uma garrafa pela metade de whisky e sua Dobro 1927 californiana com as cordas tão velhas que abria cortes em seus dedos longos e finos. Logo após o momento Faustiano firmado com o demônio, Robert Johnson viria compor o que para muitos são os “maiores blues de todos os tempos”. A influência de Johnson é tanta que nomes como Muddy Waters, todo o Blues elétrico de Chicago dos anos dourados de 50, Eric Clapton, Rolling Stones e White Stripes (que gravou a música Stop Breaking Down em seu álbum de estréia) se declaram fãs incondicionais de seu trabalho.

Tanta importância pra pouco registro. O que se sabe da carreira de Johnson estão nas 42 faixas gravadas em duas sessões feitas em 1936 que lhe renderam 29 canções que podem até espantar os mais desavisados devido à qualidade (obviamente estamos falando de músicas gravadas no começo do século). Mas a importância e a criatividade são tão anormais que, mais de 50 anos depois, o endiabrado Robert Johnson ganhou um Prêmio Grammy e um Disco de Ouro.

Em 1990 a gravadora Columbia Records lançou uma série de cds intitulada Roots n’ Blues Series que continham todas as músicas de Johnson e, o que era uma estimativa de vendas de 20.000 cópias, renderam mais de 500.000 cópias espalhadas pelo mundo (sim, vou escrever por extenso: quinhentas mil cópias). Sua figura é tão mítica quanto sua morte. Com causa não definida, mas com muitas especulações, dizem os mais antigos que Robert morreu rastejando-se de quatro em um corredor de hotel, uivando feito uma besta. Seria o fim do contrato com o… You Know Who (muitas de suas músicas citavam o diabo, o inferno e a luta do bem contra o mal).

Lendas à parte, o que fica para os dias de hoje é a música de imenso magnetismo, carregadas de riffs e levadas por uma voz tentadora como o próprio inferno. Robert Johnson deixou seu legado no Blues e fez história ao contribuir fortemente com a padronização da estrutura consagrada dos 12 compassos. Uma relíquia que transcende os fatos soturnos e ilumina a estrada do Blues.

Fonte: PdH - Jader Pires

 

Escrito por Cinen de Sousa às 02:52:20 PM
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21/07/09


AMIGOS, AMIGOS...

                   Á lista de diletos amigos, da qual me furto o direito de não mencionar nomes, para não cometer injustiça.

 

Amizade

Como o amor

É acontecimento

Dar-se por se dar

Espontâneo

E ponto final

(Cinen de Sousa - The 20jul09)

Escrito por Cinen de Sousa às 11:43:41 AM
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17/07/09


Dia de Proteção às Florestas

(17 de Julho)

Preservar florestas é sinônimo de proteger a vida

As Florestas têm sido ameaçadas em todo o mundo, pela degradação incontrolada

Isto acontece por terem seu uso desviado para necessidades crescentes do próprio homem e pela falta de um gerenciamento ambiental adequado.

As florestas são o ecossistema mais rico em espécies animais e vegetais. A sua destruição causa erosão dos solos, degradação das áreas de bacias hidrográficas, perdas na vida animal (quando o seu o habitat é destruído, os animais morrem) e perda de biodiversidade.

Agora podemos perceber como o dia 17 de julho - Dia de Proteção às Florestas - é fundamental para que possamos lembrar da importância de conservarmos nossas florestas: aumentar a proteção, manter os múltiplos papéis e funções de todos os tipos de florestas, reabilitar o que está degradado. Isto é, preservar a vida no planeta.

Em termos de diversidade biológica, o Brasil tem uma situação ímpar no mundo. Calcula-se que cerca de um terço da biodiversidade mundial esteja em nosso país, em ecossistemas únicos como a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, os cerrados, áreas úmidas e ambientes marinhos, entre outros.

Só a Amazônia, o maior dos biomas (o bioma é o conjunto dos seres vivos de determinada área) da América do Sul, é metade das florestas tropicais do mundo, com valores altíssimos em termos de biodiversidade, além do enorme potencial genético.

E a Mata Atlântica, desmatada desde os primórdios da colonização do país em ciclos econômicos agrícolas (as plantações de cana de açúcar e de café) ocupada pelo estabelecimento histórico de vilas e cidades acompanhando o litoral, teve o mais alto grau de desmatamento e conseqüentemente o mais alto grau de perda dos habitats originais. Hoje, o que restou (menos de 8% de sua área primitiva), está fragmentado, sendo melhor a situação na parte costeira da Mata Atlântica (onde o relevo acidentado ajudou na conservação), principalmente em São Paulo, e pior no interior (onde o relevo de planaltos favoreceu a ocupação).

Quando uma floresta deixa de existir, perdemos fauna e flora e isso pode provocar, ainda, o desequilíbrio da cadeia alimentar. Com as espécies carnívoras diminuindo, cresce o número de herbívoros, que podem vir a extinguir mais tipos de vegetais.

A perda da cobertura vegetal causa a degradação do solo e, conseqüentemente, a desertificação.

A destruição das florestas afeta, também, o clima, já que elas têm importante papel na manutenção da temperatura, nos ventos e no ciclo das chuvas.

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Escrito por Cinen de Sousa às 09:00:53 AM
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17/06/09


Condicional

 

Se fosse você...

Não nego, roeria de ciúmes de seu Poodle

Quisera tê-la, lado a lado no Cooper pela Avenida Principal.

 

Se fosse você...

A língua dos pássaros ensinaria, a propósito;

Não canto, não silvo; mais e mais, essa peleja com o idioma.

 

Se fosse você...

Não se permitia a indolência, e comigo viveria

Posto que; poetas são seres tristes e os tolos temem amarem-se.

 

Se fosse você...

Lembrando os tempos de “o amor nos muros”, picharia também;

“... Você deu sentido á minha vida”, repetindo os afoitos românticos da Cidade.

 

Se fosse você...

Não hesitaria um só instante, e no mais explícito dos pedidos, revelaria;

Que o teu coração aprendesse a cuidar do meu.

 

Cinen de Sousa

Escrito por Cinen de Sousa às 11:54:59 AM
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16/06/09


 MONARQUIA DE SEDUÇÕES

Uma declaração de amor à Paraíba

JORNAL O NORTE
João Pessoa, Domingo, 21 de Dezembro de 2008

 




Acilino Madeira lança novo livro domingo, no Bar do Baiano. O escritor e sociólogo Acilino Alberto Madeira Neto lança, no próximo domingo (21), às 10h, no Bar do Baiano, localizado na Rua dos Ypês, 37, Conjunto dos Bancários (por traz do Shopping Sul, ao lado da Igreja Católica), o livro "Monarquia de Seduções". A obra reúne dois ensaios antropológicos - Zé Lins e Gilberto Freyre (similitudes e distinções) e Augusto dos Anjos (antropologia de um poeta que vingou depois), além de uma seleta de poesias musicadas por Kennedy Costa, Xisto Medeiros, Adeildo Vieira, Cristiano Oliveira e Wander Farias, e será apresentada em "jam session" comandada por Kennedy Costa.


"Monarquia das Seduções", na opinião do autor, é uma declaração de amor à Paraíba e, em especial, à cidade de João Pessoa ou à antiga Phelipea de Nossa Senhora das Neves. Acilino explica que a maioria dos poemas incluídos no livro hoje se revela como canções dedicadas à capital da Paraíba, compostas em parceria com Kennedy Costa, a exemplo de "Cabo Branco", "O lado bom da festa", "Abraço de um cafuçu" e "Eu sou feliz é no samba", esta última classifica em terceiro lugar no Festival MPB Sesc de 2006.

"Sedução é palavra das antigas, monarquia também", registra o autor, na contra-capa do livro. E acrescenta: "Então, qual a razão do título 'Monarquia das Seduções'? A resposta o leitor encontrará ao fazer a leitura deste livro onde me deixo seduzir pela cidade de Phelipea de Nossa Senhora das Neves, principalmente quando esta passa a me causar imenso fascínio. Como se ao avistasse, algo me tivesse doído em minha alma e, do Largo de São Pedro, descendo a ladeira, fosse parar no Porto do Capim com a alma encantada ao som da Nau Catarineta."

O livro, seguindo ainda as palavras de Acilino, se presta a dizer sobre a importância da Paraíba na construção do ideal de modernidade que vingou da obra de José Lins do Rego e da antecipação modernizante e original da poética de Augusto dos Anjos. "Não sei se a cidade de João Pessoa já me seduzia ou se já tinha no interior de minha existência a certeza de seduzi-la no afogado das horas", acentua.

Escrito por Cinen de Sousa às 03:37:37 PM
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12/06/09


Enamorado

                    O amor foge a dicionários...

                                                     CDA

a paixão

depois o amor

como água

não há barreiras

 

Cinen de Sousa

Escrito por Cinen de Sousa às 11:17:05 AM
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05/06/09


05 de Junho

Dia Mundial do Meio Ambiente

O aluno amigo do Ambiente

 

Às vezes pensamos que, como somos pequenos, não podemos fazer nada para ajudar o Ambiente.

E não é que isso é um erro?

É que todos nós podemos fazer alguma coisa, mesmo que pareça insignificante e mesmo que sejamos apenas

dois ou três a fazê-lo (na sala de aula, por exemplo).

É que dois ou três meninos em cada sala de aula dão milhões de meninos em todo o mundo! Nunca tinhas pensado nisso, pois não?

Então vê tudo aquilo que podes fazer para preservar o Ambiente, mesmo sendo uma criança:

 

    . Utiliza sempre canetas recarregáveis ou biodegradáveis em vez daquelas que usas e deitas fora quando acabam. Quando a tinta da caneta recarregável acaba, basta ir à papelaria comprar mais!

    . Gasta os lápis até ao fim, enquanto der para escrever com facilidade.

    . Compra cadernos de papel reciclado. Não imaginas a quantidade de árvores que se poupa ao usar este tipo de papel! Sim, ainda são mais caros, mas com o tempo isso vai mudar.

    . Escreve sempre dos dois lados do papel. Na parte de trás do papel já usado (fotocópias, por exemplo) podes fazer rascunhos ou desenhos.

    . Em vez de deitares o papel velho logo para o lixo, guarda-o para depois o pores no papelão. Quem sabe se daqui a uns tempos não voltas a escrever nele em forma de papel reciclado? E olha que, hoje em dia, já nem se dá pela diferença entre papel reciclado e papel original.

    . Leva as sandes ou bolinhos para a escola dentro de caixas de plástico em vez de os embrulhares em papel ou sacos de plástico. Assim podes sempre trazê-las para casa voltar a usá-las todos os dias (depois de lavadas, claro!).

    . Se vires que não está ninguém na sala de aula, apaga a luz. Podes fazer o mesmo na tua casa, não é preciso andar a gastar energia desnecessariamente.

    . Na casa-de-banho, não deixes a água a correr quando não estás a usá-la. Se vires que há uma torneira a pingar, avisa as pessoas responsáveis. É que, pingo a pingo, ao fim do dia desperdiçam-se litros de água!

    . Luta para que as bebidas e comidas sejam servidas em pratos de loiça e copos de vidro. Lavam-se e voltam a usar-se. Com o plástico, o desperdício é enorme!


A TERRA É A NOSSA CASA!

E o Meio Ambiente Agradece...

Fonte: CmF/Net

Escrito por Cinen de Sousa às 12:14:37 PM
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29/05/09


Amor é Vício

 

No jogo de seduzir

Meu coração anda rebuscado

Não repare seu modo avesso

Traz em si

Metade acometida de dor

A outra faz de conta

Que é feliz

 

No compasso dessa dança

Compreenda melhor

Amor é vício

Sabe de princípio quem prova

Favor não brincar em serviço

O amor excessivo desmedido intrépido

Basta em si

 

Seduzir é sempre um desafio

Às leis da razão

 

Cinen de Sousa e Acilino Madeira

Escrito por Cinen de Sousa às 04:16:30 PM
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08/05/09


Semente de Adão

 

 

Plantei

No meu amorzinho

Uma semente

Entre

Beijos & afetos

 

Hoje

Acordei de assalto

Meu amorzinho já sente

Que estou

Por um filho

 

Cinen de Sousa

  Mar/2009 

Escrito por Cinen de Sousa às 11:33:15 AM
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20/04/09


18 de Abril, DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL

E aniversário de Monteiro Lobato, o criador da Literatura Brasileira para Crianças

Salve Monteiro Lobato, salve crianças...

 

XX.

Monteiro chegou a nossa casa

Num recorte de jornal pela hora do jantar

Tinha o rosto e as sobrancelhas de corujinha do serrado

E o levamos com o sítio para o quintal

Aos poucos aprendemos malabares a pintar o rosto e outras peraltices

Em comunhão com a natureza os bichos e todo o universo ao redor...

Narizinho, Pedrinho, Emília; quem não foi Saci um dia?

Quem não viveu o tempo mágico e belo das fábulas e outras viagens...

Ah! Quão fascinante o mundo da criança.

 

(Do livro “Achados & Perdidos – Profissão de Solitário” - 2004, Cinen de Sousa)

 

Escrito por Cinen de Sousa às 10:19:17 PM
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03/04/09


LAMENTAÇÃO ECOLÓGICA

 

Ah! Essa dor de corno pelo que se vai perdendo.

Os rios revoltados,

o poluído coração das águas.

A lua devassada

o luar desaparecido num tempo todo morto.

Um canto um chamado de pássaro.

 

A migração das marrecas

a maturação das mangas.

O tempo despercebido.

 

Essa dor renitente por tudo que vai mudando

a lenta extinção das espécies nos Jardins Zoológicos.

O mar insatisfeito,

a luz envenenada,

a derrotada defesa do ozônio.

Estrelas turvas, terras tristes

onde se planta a vanguarda do deserto.

A chuva, ácida, que não acorda os campos.

Até o amor

só lembrança

do que não existiu.

 

Essa dor de tudo que o homem

e outras forças da natureza

vão destruindo.

 

(EPHEMERA – 1974, - H. Dobal Poesia Reunida, Oficina da Palavra)

Escrito por Cinen de Sousa às 11:46:54 AM
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31/03/09


Recenseamento

  

- O Senhor tem fixo?

- Não! Apenas fícus pelo quintal.

 

Cinen de Sousa

Escrito por Cinen de Sousa às 10:02:36 AM
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23/03/09


Há um cisco no olho do Mundo...

 

Água de beber

Água de comer

Água de viver

 

Água mãe!

 

Que estranha ironia;

Capricho

Ou sinistro?

Já agoniza

E flagela o planeta

 (Cinen de Sousa)

Escrito por Cinen de Sousa às 08:42:50 AM
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20/03/09


Águas de Março e de todos os dias...

 

O nosso planeta tem cerca de dois terços só de água.

Pela lógica, parece haver água sobrando para a população, não é?

Parece um absurdo falar em crise da água?

 

Vamos aos fatos: 97% da água do planeta são água do mar, imprópria para ser bebida ou aproveitada em processos industriais; 1,75% é gelo; 1,24% está em rios subterrâneos, escondidos no interior do planeta. Para o consumo de mais de seis bilhões de pessoas está disponível apenas 0,007% do total de água da Terra.

 

Some-se a isto o despejo de lixo e esgoto sanitário nos rios, ou ainda as indústrias que jogam água quente nos rios - o que é fatal para os peixes. A pouca água que existe fica ainda mais comprometida. Isto exige a construção de estações de tratamento de esgoto e dessalinização, por exemplo. E exige conscientização para que se evite o desperdício e a poluição, principalmente nas grandes cidades.

 

Com o objetivo de chamar a atenção para a questão da escassez da água e, conseqüentemente, buscar soluções para o problema, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu em 1992 o Dia Mundial da Água: 22 de março.

 

Por conta disso, a ONU também elaborou um documento intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água", que trata desse líquido como a seiva do nosso planeta. (Fonte: IBGE)

 

 

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA

 

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos da Água, ela é seiva do nosso planeta e condição essencial da vida na terra. Confira os artigos:

 

Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

 

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

 

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

 

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

 

Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

 

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

 

Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

 

Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

 

Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

 

 

Escrito por Cinen de Sousa às 08:40:41 AM
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19/03/09


Canção do Amor Tranquilo

(Climério Ferreira/Cassiano Nunes)

 

Encosto o meu rosto

No teu ombro moreno

Imensa é a solidão

Mas o mundo é pequeno

Por acaso encontrei

Mesmo em Roma ou Paris

Amigos do Brasil

Só não achei quem quis

A alma desejada

Em perfeita constância

Em anos solitários

Obsessão da infância

Aceito o destino sem queixas

Estou sereno

Encosto o meu rosto

No teu ombro moreno

 

 

Blue nº. 2

(Climério Ferreira/Cassiano Nunes)

 

Passaram-se os anos

Ainda acredito

Na carne, no sangue

No clamor do mito

Vagueio na noite

Procuro insone

A paixão sem rosto

O amor sem nome

Que quero e que espero

É capricho, é vício (não)

É a solidão e seu exercício

 

(Do CD - Canção do Amor Tranquilo, 1995 - Climério Ferreira)

Escrito por Cinen de Sousa às 10:03:03 AM
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16/03/09


Na tarde do dia 15 de outubro de 2007, perdemos um mestre de excepcional valor: o poeta, crítico literário, dramaturgo, jornalísta e professor Cassiano Nunes

 

 

"Quando pisou no aeroporto do Galeão (RJ) – vindo de Nova York –, Cassiano Nunes Botica voltava ao Brasil depois de cerca de quatro anos de estudos na Alemanha e nos Estados Unidos. Não fazia idéia de onde trabalharia. Largou o emprego de professor de literatura brasileira na Universidade de Nova York para retornar ao país natal. Ao longe, avistou o amigo que entrelaçaria sua história à de Brasília. O senhor magro, calvo, de óculos era o poeta Carlos Drummond de Andrade. Ao escutar o pedido do amigo por um emprego, Drummond pediu calma. Duas semanas depois, o escritor mineiro o indicaria para lecionar na Universidade de Brasília (UnB), no Instituto de Letras (IL). Era 1966 e Cassiano permaneceria na instituição até 1991. Passados 38 anos, o jornal UnB Notícias homenageia, na série Personalidade, o poeta, crítico, professor, ensaísta e Doutor Honoris Causa (título concedido em 2002). Ou como ele mesmo se chama – o "velho cão" do Cerrado.

Em Brasília, além da própria produção literária, Cassiano Nunes – formado em Letras Anglo-Germânicas e Contabilidade (por pressão do pai) – é referência na formação de vários poetas, entre eles João Carlos Taveira, Climério Ferreira e Gustavo Dourado. Pela contribuição para a cidade, tornou-se cidadão honorário de Brasília em 2001. "Ele sempre nos promoveu e chegou a montar exposição em Paris só com poetas brasilienses", afirma o poeta e jornalista Guido Heleno, ex-aluno de Cassiano.

Um dos maiores estudiosos da vida e da obra do escritor Monteiro Lobato, Cassiano Nunes vive em meio à biblioteca que ocupa grande parte de sua casa na 711 Sul, em Brasília. Amigo de Mário e Oswald de Andrade, Antônio Cândido e Patrícia Galvão (Pagu), ele só começou a escrever poesias depois dos 40 anos – até 2002, publicou 63 obras, entre poesias, ensaios, artigos e críticas. No último dia 4 de maio, lançou sua mais recente obra: Literatura e Vida, uma coletânea de artigos.

http://www.gustavodourado.com.br/cassiano2.jpg

Amiga de longa data, a professora da UnB Maria Jesus Evangelista, conhecida como Majú, revela como é o processo criativo de Cassiano: "Ele não faz sequer correções nos versos. A inspiraçã o vem e o poema já sai com a cara dele". Sua poesia é adepta do estilo livre, com ritmo simples parecido com o de Manuel Bandeira. Modernista e contemporâneo, segundo Majú, seus poemas apresentam incursões pelo simbolismo impressionista. "É lírica, mas não piegas. Ele é um virtuose do verbo livre", detalha.

Atualmente, a produção praticamente cessou devido a problemas de depressão – em função da doença, Cassiano não pôde receber a equipe do UnB Notícias. "Ele está melhorando e temos fé que volte a escrever", diz Majú.

MENSAGENS NATALINAS - Ao apresentar os livros do amigo, algumas dedicatórias chamam a atenção. Em uma delas, Cassiano brinca ao se denominar "noivo espiritual" de Majú. "Ele é extremamente educado, fino. Nunca deixa de enviar suas mensagens natalinas para os amigos", diz a professora, presente na vida do poeta desde 1966. Cassiano também é bastante receptivo com os mais íntimos. Heleno perdeu a conta das vezes em que apareceu de surpresa na casa do poeta, rodeado de gente nas madrugadas dos anos 1970.

O escritor foi o primeiro brasileiro de sua família. "Os pais e a irmã são portugueses da cidade de Tomar", conta Bernardo Bernardes, amigo conquistado em 1995 que filmou o documentário Viva Cassiano! sobre a vida e a obra do poeta a ser lançado na próxima edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

CAMINHADAS - Em São Vicente (SP), onde passou a infância e a adolescência, Cassiano despertou para a literatura. Por volta dos 15 anos, passou a pegar livros emprestados em uma biblioteca particular. Costumava andar de sua casa até o local. Cassiano sempre gostou de caminhadas. Hoje, elas continuam parte de sua rotina, mas sob recomendação médica. Duas vezes ao dia, anda pela W3 Sul. A seu lado, sempre uma das duas governantas – exigência dos amigos,preocupados com possíveis quedas ou assaltos.

A autenticidade também é um traço de seu caráter. Diz o que pensa e o que sente, sem vírgulas. Com a mesma paixão, defende suas convicções. A mais famosa delas é a repulsa pela televisão. Durante décadas, não quis ter o aparelho em casa. "Hoje, em função da idade e das governantas, ele assiste por vezes", revela Bernardes.

TELEVISÃO E CAPIM - Para Cassiano, os programas televisivos se resumem a três bês: beijos, bebês e bundas. "No dia em que os meios de comunicação recomendarem à população que comam capim, vão ver que sucesso...Haja capim", escreveu em seu livro Grafitos nas Nuvens. Seu discurso radical motivou debates tanto no Entorno quanto no Plano Piloto.

A facilidade de comunicação e a preocupação com questões sociais, características marcantes, já lhe renderam situações cômicas quando a fama se espalhou. Por dia, passavam 10 pedintes à sua porta. O escritor chegou a gastar R$ 300,00 por mês com esmolas. A prática incomodava os vizinhos, que o acusavam de atrair mendigos para a quadra.

Nada é mais justo para Cassiano do que se preocupar com problemas sociais. Afinal, para ele, não existe cultura sem generosidade. Agraciado com dois prêmios da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele nunca perdeu a esperança de assistir à transformação social brasileira. Menos mal, já que, como José Saramago em seu Ensaio sobre a Cegueira, "a cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança". Somos todos um pouco menos cegos por conta de Cassiano Nunes.

Textos: UnB Agência.
Fotos: Inês Cavalcanti e André Luis da Cunha/UnB Agência.

Escrito por Cinen de Sousa às 02:39:08 PM
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12/03/09


Graças a Deus

Teresina guarda em seu recesso

Um peculiar sossego

Tal maneira

Que um suicídio

Põe a Cidade em pavorosa

 

Cinen de Sousa

Escrito por Cinen de Sousa às 02:54:02 PM
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04/03/09


Pelo olho mágico

Da porta do Ocidente

Vejo Dalai-Lama

Num workshop vendendo

Sonhos & Ilusões

Alheio

 

(Cinen de Sousa, do livro Achados & Perdidos, 2004)

Escrito por Cinen de Sousa às 04:55:30 PM
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16/02/09


Aguapés

 

  

O Poti

É um rio pouquinho e esquisito.

 

De turvas pedras e redemoinhos

Que engoliram o destemido Zé-da-onça.

 

De tão silencioso

Pôs inútil o bichano da vizinha.

 

Aguapés denunciam

Algo que fere que morre que morreu...

 

O urubu

A água que o boi bebeu.

 

 

Cinen de Sousa

 

Escrito por Cinen de Sousa às 05:25:22 PM
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22/01/09


 

"A maior riqueza do homem é a sua incompletude.

Nesse ponto sou abastado.

Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.

Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas,

que puxa válvulas,

que olha o relógio,

que compra pão às 6 horas da tarde,

que vai lá fora,

que aponta lápis,

que vê a uva etc etc.

Perdoai. Mas eu preciso ser Outros.

Eu penso em renovar o homem usando borboletas".

 

Manoel de Barros

Escrito por Cinen de Sousa às 10:57:54 AM
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21/01/09


 

Saudade de Amar

 

 

 

Você chegou, - pisando em lã

Acercou-me ao meio, - meu ponto fraco

Sequer quis saber, - qual meu dono

Sequer quis saber, - quem foi meu.

 

Você me acende o sol

E a minha vida enche-se de tua graça

Meu jeans meus livros os e-mails, tudo: Você mexe comigo!

Do jardim, rouba a cena imitando colibris

Da roseira, furta-lhe o frescor e a doçura

Ainda que eu fosse o Superman: Bastaria um beijo seu

Pra eu ir à lona.

 

Sou feito a você

Carne sangue e algumas doses de gim

E o desassossego das cartas de amor em braile...

Desconfie de quem não ama

Desconfie de quem não tem um bem

Nunca dê ouvidos, a quem diz; O amor é cego!

Cego, feio e tolo é o medo de amar.

 

 

Cinen de Sousa e Titá

Escrito por Cinen de Sousa às 01:25:50 PM
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20/01/09


 

Poema não cura dor de dente, queda de cabelo, pneumonia...

Não serve para nada, a não ser para emocionar as pessoas,

fazer a vida mais linda, deslumbrante, maravilhosa e verdadeira na sua intensidade.

Fora daí, não serve para mais nada.

Se dependesse dos poetas, nem a roda seria inventada.

 

Ferreira Gullar

Escrito por Cinen de Sousa às 05:05:01 PM
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Aprendiz de Passarinho

 

 

Tsiu  tsiu  tsiu

 

Siu  siu  siu

 

Tsiu  tsiu  tsiu 

 

Siu  siu  siu

 

Tsiu  tsiu  tsiu

 

Siu  siu  siu... 

 

 

Cinen de Sousa

 

 

Escrito por Cinen de Sousa às 10:47:21 AM
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05/01/09


 

Cântico dos cânticos

 

 

                       Para Wanda Queiroz

 

Que belos olhos você tem

Quão negrume nas retinas

Quantos feitiços nos trejeitos

Ó, graciosa menina!

 

Que candura é tua voz

Teu canto brotar em nós

Que o amor pode acontecer

Em qualquer estação.

 

És divindade, és luz

Do céu de tua boca luzem constelações

Em teu seio a leveza das manhãs

Doce sabor de romãs.

 

Quis evitar, Mentira!

Então me diz; Qual Deus te desenhou o dorso?

Quem te teceu negros cabelos?

Ó, graciosa menina!

 

Verdade! Invejo a quem compete decifrar

Tuas peças teus sinais tua sina.

 

 

Ral e Cinen de Sousa

 

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Poema composto logo após a apresentação do grupo "Ensaio Vocal", no

intervalo da 3ª Eliminatória do III Festival Cantos do Piauí, 01/12/2005,

realizado na Pça. Pedro II.

Escrito por Cinen de Sousa às 04:49:04 PM
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22/12/08


 

Acilino Madeira lança novo livro

domingo no "Bar do Baiano", João Pessoa/PB

 

O escritor e sociólogo Acilino Alberto Madeira Neto lança, no próximo domingo (21), às 10h, no Bar do Baiano, localizado na Rua dos Ypês, 37, Conjunto dos Bancários (por traz do Shopping Sul, ao lado da Igreja Católica), o livro "Monarquia de Seduções".

 

A obra reúne dois ensaios antropológicos - Zé Lins e Gilberto Freyre (similitudes e distinções) e Augusto dos Anjos (antropologia de um poeta que vingou depois), além de uma seleta de poesias musicadas por Kennedy Costa, Xisto Medeiros, Adeildo Vieira, Cristiano Oliveira e Wander Farias, e será apresentada em "jam session" comandada por Kennedy Costa.

"Monarquia das Seduções", na opinião do autor, é uma declaração de amor à Paraíba e, em especial, à cidade de João Pessoa ou à antiga Phelipea de Nossa Senhora das Neves. Acilino explica que a maioria dos poemas incluídos no livro hoje se revela como canções dedicadas à capital da Paraíba, compostas em parceria com Kennedy Costa, a exemplo de "Cabo Branco", "O lado bom da festa", "Abraço de um cafuçu" e "Eu sou feliz é no samba", esta última classifica em terceiro lugar no Festival MPB Sesc de 2006.

"Sedução é palavra das antigas, monarquia também", registra o autor, na contra-capa do livro. E acrescenta: "Então, qual a razão do título 'Monarquia das Seduções'? A resposta o leitor encontrará ao fazer a leitura deste livro onde me deixo seduzir pela cidade de Phelipea de Nossa Senhora das Neves, principalmente quando esta passa a me causar imenso fascínio. Como se ao avistasse, algo me tivesse doído em minha alma e, do Largo de São Pedro, descendo a ladeira, fosse parar no Porto do Capim com a alma encantada ao som da Nau Catarineta."

O livro, seguindo ainda as palavras de Acilino, se presta a dizer sobre a importância da Paraíba na construção do ideal de modernidade que vingou da obra de José Lins do Rego e da antecipação modernizante e original da poética de Augusto dos Anjos. "Não sei se a cidade de João Pessoa já me seduzia ou se já tinha no interior de minha existência a certeza de seduzi-la no afogado das horas", acentua.

Fonte:O NORTE João Pessoa, Domingo, 21 de Dezembro de 2008

 

Escrito por Cinen de Sousa às 09:28:05 AM
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12/12/08


  

O Encontro dos Rios

 

 

Um segundo e mudam o rumo dos ventos

Só não muda o jeito teresinense de existir...

 

Sob um céu arrebatado de azul um esplendoroso sol e noites amenas

Teresina deita sobre seus rios

 

Um tem o coração vingador

Onde vez por outra engole um mais afoito

E o guarda em esconderijos de troncos fósseis e escuras pedras

 

O outro, um rio  ardiloso; mais parece um lagarto impiedoso 

Guarda a cidade e a todos com olhos de faróis sempre atentos

A boca miúda suas histórias correm por toda cidade 

 

Num balé único

Piabas faíscam ao inusitado luar

Os mais crédulos avistam Crispim Pescador execrando suas dores

Sobre argilosas águas

Onde outrora singravam embarcações mercantes

 

Habitual como nos tempos da Vila do Poti, os rios de minha cidade se achegam...

Aguapés são imagens do desprogresso do desamor a natureza e o desrespeito a vida 

Aonde uma escassa população de iguanas resiste entre bitucas de cigarro e latas de cervejas 

Assim, assim os rios Poty e Parnaiba passam por nós vitimados de atlântico

A propósito; ao poema não cabe um rio parado no tempo

 

Cinen de Sousa

Escrito por Cinen de Sousa às 10:16:40 AM
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11/12/08


 Até tu, Saramago?

 

Eu estava na internet quando me deparei com a foto do ilustre português abraçado com sua esposa. Que decepção. Achei que Saramago fosse casado com uma senhorinha curvada pelo tempo, e não com uma morena esguia, de pele lisa e corada, com rugas tão sutis que é preciso dar um zoom para vê-las. Fechei a página. Se até esse devoto do intelecto e da alma escolheu uma mulher mais nova, o que será de nós, fêmeas, na idade avançada?

Não tem jeito. Antes de ser intelectual, ativista político, escritor e prêmio Nobel de Literatura, Saramago é homem. E homem gosta é de mulher bonita. Borges confirma. Aos oitenta e cinco anos, o escritor casou-se com Maria Kodama, quatro décadas mais nova do que ele. Na ocasião, Borges já estava cego, mas nem isso o impediu de dar uma conferida no material. Conta-se que, antes de propor o casamento, ele perguntou a sua empregada: Maria é bonita? Nem feia, nem bonita, ouviu como resposta. E então, certo de que não estava desposando uma de suas personagens de quatro mil olhos e quatro mil orelhas, casou-se com a jovem.

É claro que para Borges, Saramago ou qualquer outro portador de cromossomos XY também pesam outras qualidades. Além de bela, a Pilar de Saramago é uma mulher interessante, excelente tradutora, e a empatia entre os dois é inquestionável. A Maria de Borges também foi uma grande companheira. A questão não é com quantos atributos se faz uma paixão, mas qual o peso desses atributos. Dispa uma modelo e uma velhinha doutorada na frente de um homem e o orgão dele lhe apontará a resposta.

Condenável? De maneira alguma. É absolutamente instintivo, portanto não passível de retaliação. Até porque as mulheres também têm seu método de escolha. Só que, nesse caso, o ouvido vem antes e a visão, depois. O sujeito pode ser careca, barrigudo e peludo como um primata, mas se disser a coisa certa, leva. Mulher gosta de homem inteligente, dotado de atitude e, de preferência, bem-sucedido, não pela segurança financeira que isso proporciona, mas porque para elas é a admiração, e não a carne, o maior afrodisíaco.

Se é assim, o macho também precisa se destacar entre seus pares. Claro, rapaz. Está pensando que a vida é fácil? A diferença é que, com elas, o critério é muito mais cruel. Um bom papo se arranja, e só tende a melhorar com o tempo. Já a beleza física vai se esvaindo cada vez mais.

A sorte é que, na idade avançada, as mulheres vivem bem sem os homens. Já esses, pobres sofredores, passam até seus últimos dias, ainda que cegos, esquadrinhando o mundo por um rabo-de-saia.

 

Giovana Madalosso - É cronista

Escrito por Cinen de Sousa às 12:50:21 PM
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28/11/08


VIVA, TOM ZÉ!

 

TOM ZÉ aproveitou no último domingo 23/11, durante show no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, para rebater um elogio ao CD "Estudando a Bossa - Nordeste Plaza" feito por Caetano Veloso.  - "Caetano, vai tomar no...".

 

"Não, Caetano (...) eu não posso aceitar agora o seu colo e do grupo baiano, que durante todos esses anos me separaram até do que era meu, enquanto gozavam de todo o prestígio e privilégios, talvez como ninguém mais neste país analfabeto." (Folha de S. Paulo)

 

Cinicamente Caetano respondeu;

"Eu não sou o grupo baiano. EU SOU EU! E você não precisa recusar um abraço meu para ser GRATO a quem o AJUDOU. Eu gosto de você. Não precisamos desses surtos de ressentimento".

 

Apenas para refrescar um pouco a nossa memória;

O Tropicalismo nem constituiu um gênero próprio. Nem abriu as portas para outras assimilações. Por certo, renovou o texto das canções. Diferentemente da Bossa-Nova, que constituiu uma melodia característica; estruturou seqüência de acordes; instituiu combinações de dissonâncias numa sintaxe própria; revolveu o samba em suas entranhas; destruiu e refez a forma erigida por Noel e seus pares.

 

Sabe Deus, quanto tempo o nobilíssimo Tom Zé esperou por tal momento. Não satisfeito com as asneira que profere no seu dia-a-dia, ele (Caetano) vem agora com essa de "bom samaritano"... Sabe-se lá, quantos Zé’s o procuraram por uma mãozinha ao todo-poderoso CAÊ!

Eu Teresinense confesso; tenho ressentimentos sim, do Torquato Neto plagiado, injustiçado e esquecido.

 

Para tanto, não precisa ser um grande conhecedor de música para perceber que o TROPICALISMO não foi apenas o quarteto baiano - Gil, Bethânia, Caetano e Gal! Fazendo uma releitura de Torquato Neto e ouvindo Tom Zé nos discos: Tom Zé/1970, Se o caso é chorar/1972, Todos os olhos/1973, Estudando o samba/1975 e Correio da Estação do Brás/1978 e mais recentemente o CD – The Hips of Tradition/1992, percebe-se a importância negada a Tom Zé, como o próprio disse; separaram-me DAQUILO QUE ERA MEU...

 

Hoje Tom Zé goza de reconhecimento e prestígio junto à crítica, e a uma dúzia de fãs como eu, que indignado e não satisfeito, reescrevo parte do artigo da “Folha”, para manifestar o meu repúdio a aqueles que só vislumbram a si próprio.

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Cinen de Sousa - Poeta

 

P.S - Caetano não se contenta por não ter nascido pavão...

  

Escrito por Cinen de Sousa às 04:14:21 PM
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Meu Samba

  

Hoje eu fiz um samba

Pra você lembrar

Que a minha tristeza

Deu lugar a alegria de cantar.

 

Cantando,

Aprendi que viver sem rancor

É o caminho mais curto

Para encontrar a paz.

Ademais, são apenas intrigas

Daqueles que não sabem ver

O outro bem.

 

Hoje eu fiz um samba

Pra eu ter certeza

Que sem você, vivo melhor...

Que entre nós, - o melhor foi dizer adeus!

E nunca mais sofrer.

  

Cinen de Sousa

 

Escrito por Cinen de Sousa às 04:02:15 PM
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Olhos Ciganos

 

Tristes são os olhos de quem vive um grande amor
E convive uma saudade.
Tristes são os olhos de quem vive uma paixão
E o coração em alvoroço; andarilho das estradas dos confins.

Meus olhos buscam os teus por esta terra
Da mais bela flora...
Do ipê-amarelo, pau-d’alho, araucária, mangaba, avenca, pitanga.
Da mais bela fauna...
De pintassilgo, louva-a-deus, quati, surucucu, jacaré - açu, sabiá, quero-quero.
Terra esta, do ”jeitinho”; que muito entristece sua gente.
Que falsifica e suborna. Da esperteza, da usura e da cobiça.
Que mata Chico Mendes, e assassina Dorothy Stang.
Banalizam a tudo.
A imprensa diz o que lhe convém; e a vida está por quase nada!

Ainda assim, te procuro incessantemente;

Pelas ruas sossegadas e alegres de Teresina.
Na estrela cadente, dessas que cortando o céu;
Não aponte o dedo, apenas faça um pedido, - e que Deus seja louvado, amém!
Na paz, que de súbito; rege o revoar de pombos na Praça da Matriz.
Míope, sigo incólume transeunte.

Cinen de Sousa

Escrito por Cinen de Sousa às 03:50:33 PM
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O Animal da Floresta

 

De madeira lilás (ninguém me crê)
se fez meu coração.
Espécie escassa de cedro, pela cor
e porque abriga em seu âmago
a morte que o ameaça.

Madeira dói?
Pergunta quem me vê os braços verdes,
os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas densas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.

No crepúsculo
estou da ribanceira
entre as estrelas e o chão
que me abençoa as nervuras.
Já não faz mal que doa
meu bravo coração de água e madeira.

Thiago de MeloPoeta, Cidadão do Mundo e das Florestas, Embaixador símbolo da Amazônia.

Escrito por Cinen de Sousa às 03:47:06 PM
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18/11/08


Pretinha

 

                  Para Lilian Mendes

 

Pele de romã

Uva fresquinha

Cândida noite

Acre doce; luz e beleza.

 

Pra lá de faceira

Ás vezes pitanga

Exposta à mesa

Café da manhã; aroma de pomar.

 

Pouso sereno

Largo da Matriz

Passeio matinal

Pétala de orvalho; maturando jabuticabas.

 

Quando a beijo...

É como se abraçasse o mar.

 

Cinen de Sousa           

 

 

Escrito por Cinen de Sousa às 11:53:36 AM
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06/11/08


MOMENTO – II

 

O fantasma de minha amada

Persegue-me na névoa

(Nunca esqueci o brilho dos seus olhos...)

 

A minha amada

Queria-me submisso

Preferi perdê-la

 

A minha amada

Morta em mim

É uma perda menor

 

RAL - Do livro Canção Permanente, Jul/82

Escrito por Cinen de Sousa às 11:15:30 AM
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04/11/08


As mudanças com a nova reforma

da Língua Portuguesa

 

Vejamos o que muda a partir de 1º. de Janeiro de 2009

 

HÍFEN:  Não se usará mais

1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista"
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"

 

TREMA: Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados

 

ACENTO DIFERENCIAL: Não se usará mais para diferenciar

1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição)
2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo)
3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo")
4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo)
5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica)

 

ALFABETO: Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y"

ACENTO CIRCUNFLEXO: Não se usará mais

1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem"
2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo"

 

ACENTO AGUDO: Não se usará mais

1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia"
2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca"
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem

 

GRAFIA: No português lusitano

 1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo"

Escrito por Cinen de Sousa às 10:19:07 AM
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SELEÇÃO SEM POVO

Ruy Castro

De 1958 a 1982, o Brasil teve um caso de amor com sua seleção de futebol. E ela fazia por onde: venceu três Copas do Mundo, jogou partidas memoráveis no Maracanã e no Morumbi e consagrou três gerações de jogadores. Havia mais craques na praça do que vagas no time, e nada superava a honra de uma convocação.

Fora da seleção, esses jogadores entravam em campo todos os domingos por seus clubes - nossos clubes. Podiam ser amados ou odiados no fragor doméstico, mas, no que vestiam a camisa amarela, cessava o vodu. A seleção tinha até torcedores próprios, e não apenas entre os que só se ligam em futebol na Copa por um vago ardor patriótico.

Mas isso acabou. A seleção é, há muito, um feudo de jogadores que atuam no exterior, defendendo camisas com as quais nada temos a ver. Por vários motivos, também não a assistimos em nossos estádios - há sete anos, por exemplo, ela não joga no Rio. E, como aconteceu na última Copa, a seleção, convocada na Europa, não veio ao Brasil nem para pedir a bênção do povo que representava. Deu no que deu.

As razões são muitas, mas o fato é que a seleção se divorciou do povo. Não é mais o Brasil. Reduziu-se a uma legião estrangeira que, mecanicamente, canta o hino antes do jogo. Ex-ídolos nacionais como Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho preferem jogar por seus milionários clubes que pela seleção. E estão certos: só quem vai à Europa sabe o que eles representam em paixão para os torcedores desses times. São deuses em Milão, Barcelona, Madri.

Vem aí uma opaca Copa América. Os craques a desprezam e a torcida brasileira, com razão, também não está nem aí. Qualquer campeonato local envolvendo o Arapiraca, o Botucatu ou o Cascavel será mais emocionante, se um desses for o nosso clube de coração. A camisa precisa estar perto do peito. (Folha de São Paulo

Escrito por Cinen de Sousa às 09:39:22 AM
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31/10/08



sabiamente
lagarta-de-fogo evita
tomar neblina
(Cinen de Sousa)

Escrito por Cinen de Sousa às 01:02:36 PM
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UM LIVRO DO PIAUÍ

Oliveira Silveira


O mensageiro sacudiu a poeira do gibão e anunciou a chegada do defunto para breve
parada naquela vila. A rede já havia atravessado o riacho do Felipe. Doze parelhas de pretos
fortes revezavam-se na condução de Dom Luís Carlos de Alencastro Furtado de Mendonça e
Elvas, da fazenda Serra Negra até a capital da província de São José do Piauí, umas doze
léguas de distância aproximadamente. Pouco menos de cinco haviam sido encurtadas e o
peso daquele corpo redondo era muito grande por tamanhos pecados e ruindades em vida
cometidos. (Acilino Alberto Madeira Neto – conto A última viagem do fidalgo.)

As linhas iniciais de um conto, destacadas em epígrafe, oferecem breve amostragem do texto do escritor Acilino Alberto Madeira Neto em seu livro Nos Confins da Missão – Teresina: Edições pulsar, 2007, 118 páginas. Os espaços gráficos são divididos com o artista plástico Antônio Amaral – trabalho vigoroso e contemporâneo, de grande expressividade.

O autor piauiense apresenta onze contos e uma mini-novela intitulada As sobras do passado, trazendo para o plano literário as estórias (no dizer de Guimarães Rosa) contadas pela velha senhora Gogô Merola, por sua mãe Rosária Firmino e seu pai Gilberto, personagem marcante no conto-título Nos confins da Missão. Missão jesuítica, aldeamento indígena no passado, o local é Aroazes, terra natal do autor, no interior do Piauí. O escritor une as estórias ou histórias e o histórico, deslocando-se no espaço geográfico até Fortaleza no Ceará e outras áreas nordestinas. Na base, percebe-se, há o trabalho sério de pesquisa e, no manejo verbal, a habilidade em lidar com o tempo narrativo, seja nos textos mais longos seja nos contos curtos, ágeis e incisivos.

Presente da professora universitária Zelma Araújo Madeira, irmã do escritor, o exemplar de Nos confins da Missão logo revelou um texto cativante, fluente, em combinação e sintonia com as imagens instigantes criadas por Antônio Amaral. No contato em Fortaleza, Acilino Alberto Madeira Neto informou que já se debruça em pesquisa para seu próximo trabalho. E sobraçava os três pesados volumes de uma obra impactante: “Carnaúba, pedra e barro na capitania de São José do Piauhy”, de Olavo Pereira da Silva Filho, arquiteto piauiense radicado em Minas Gerais. Levava-os para a leitura em João Pessoa-PB, onde reside. Em sua próxima obra de ficção – um romance – é certo que estará presente a seriedade de um escritor talentoso, que embasará seu trabalho artístico em exaustiva pesquisa histórica.

Fortaleza-Porto Alegre
Dez/2007

Escrito por Cinen de Sousa às 12:58:08 PM
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30/10/08


TERESINA, Cidade Luz

(Poema alusivo ao 156º. Aniversário)

 

 

I.

 

Sob as graças da fé

E o nome da cordial Imperatriz

Nascera altiva, vistosa entre - rios...

A propósito, Saraiva planifica reticulados tabuleiros

Traços retos, raios em vértices, futurista.

(Às vezes pouco distraída...)

 

Não muito distante

Ás 5 horas da manhã

O apito do trem anunciava os anônimos chegando

Sem sobressaltos à paisagem aparente

Ás 6, já refestelada de sol

Cristalina, amante de poetas.

 

 

II.

 

Hoje mais avultada

E vertical, se arvora a engolir quintais

Na Benjamin Constant, nº. 1905

Há exato um século, ainda contam de memória

Sobre um mocó repleto de estórias

E algumas meias-patacas.

 

Teresina, eu também vou te cantar

O meu atrevido amor...

Senão a inaudível dor

Senão a inquietude de um poema sem metáforas.

(Menino sabia-se das moedas do avaro tio Mariano, enterradas no quintal,  

e o peso daqueles mensuráveis apitos.)

 

Cinen de Sousa

 

 

Escrito por cinendesousa às 04:49:58 PM
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