Amor Mudo
Ardendo de amor, as cigarras
Cantam; mais belos porém são
Os pirilampos, cujo mudo amor
Lhes queima o corpo
(Canção de Camponeses do Japão)
Tradução: Herberto Helder
Amor Mudo
Ardendo de amor, as cigarras
Cantam; mais belos porém são
Os pirilampos, cujo mudo amor
Lhes queima o corpo
(Canção de Camponeses do Japão)
Tradução: Herberto Helder
A R T I M A N H A
Para o artista Antonio Amaral
Jogar bola
É fácil; é brincar de correr
Com as sinuosas pernas do Mané
E saracotear
Fazer poesia
Não exige maior destreza
A manha; saber por uma pedra no meio caminho do mundo
Depois ser gauche na vida
Cinen de Sousa
Verde que te quero ver-te
Para o poeta William Soares
Pelas quintas quintais e alamedas
O benevolente verde da cidade...
Carnaubeiras
Na Antonino Freire.
Na Vila do Poty
Amendoeiras algarobas jatobás figueiras...
Oitizeiros resistem bravos e majestosos
Ao tempo e ao des’envolvimento.
Caneleiro Símbolo!
Belo e medicinal; - oxalá que cure
(O mal de Alzheimer...)
E salve a D. Maria.
Cinen de Sousa
CHOVE CHUVA
Ao músico e parceiro Francisco Carlos - (Titá)
Chuva fina
Chuva doce
Chuva boa
Bendizei todos - Chove em Teresina!
Chuva doce
Chuva fina
Que mote bom
Que loa boa
E como eu não tenho obra-prima
Vou de Cajuína - Made in off Teresina!
Cinen de Sousa
Pequenino Gusthavo
Sábado - 07 de novembro
Céu encoberto
Pouco sol e nuvens esparsas
Qual rima desacelera euforia?!
Venha, não seja tímido Se o mundo não lhe é familiar Eu arrulharei pra ti pequenino Sábado - Primavera de 2009 Que belo dia Para nascer meu filho
Cinen de Sousa
Candura
(ou Advertência?)
Para o mestre Acilino Madeira
Quem tem um B e m
Carrega consigo um tesouro
Cristalino: Azo Precioso
Quem tem um B e m
Sabe aonde ir com fé
Combina sol e chuva, música e torvelinho
O coração vai aonde dar o mar
Pleno de si
A vida vale cada gesto vizinho
Cúmplice a natureze lhe sorrir
O sol brilha amarelo
Mais a mais, deu no 'Fantástico'
Quem não tem um B e m
V i v e n a M ã o !
Cinen de Sousa
O arco-íris
Senhor!
Falta-me inventar
Algumas horas flavas
Falta-me compor
Uma música singela.
E aprender
Contemplar mais arco-íris.
Senhor!
Não permita que eu morra
Conceda-me a graça de viver contemplando mais
Os rios, as floresta, os bichos
E a providência divina - a Luiza Brunet.
Cinen de Sousa
TRAGÉDIA DO BARROCÃO
(Sobre o velório de Torquato Neto)
a navilouca em pane
encalhou no porto
fantasmas e vampiros
sumiram no naufrágio
e até hoje (quando falo)
nenhum sobrevivente ou ressuscitado
explicou o lance de um bilhete frio
deixado – às pressas – pelo comandante
sob o convés-banheiro da nau tropicalista.
no barrocão – A RUA
outrora inspirativa
chorou de amargura a morte do poeta
vestiu-se de betume
sucumbiu aflita
ante a multidão
e a nau encalhava.
72 – novembro
parece que foi ontem
o pai, a mãe chorando
o nômade/FILHO/único
alfa & ômega
beta & gama
razão de muitas notícias alegres
muitas preocupações RIO-BAHIA
visitas, beijos e doces
de buriti, de caju.
ficou trisTERESINA
ficou triste
a tua rua, Torquato, estava feroz... sombria!
o Dr. Heli calado, tua mãe do outro lado
rezando a ave maria
fim de tarde-cinza-chumbo
“Quem me dá notícias de Thiago?
não, ANA não
pra mim, basta “...
um lindo esquife macabro
três castiçais de alumínio
você calmo ali dormindo
como num filme de horror
ficou trisTERESINA
ficou triste
pessoas fazendo fila
pra sacarem tua juba
pelo vidro do caixão
comiam teu visual
dava uma cena ideal
para um filme do Polansky.
O LOURO CINEGRAFISTA
em nome da obrigação
subiu na mesa da sala
filmou tua tela e partiu
partiu também pro teu mundo
num pára-quedas, na falha
nas transas da tropicália
tua cabeça venceu
Gil, Cae, Gal Bethânia
quarteto favorecido
no álbum dos esquecidos
tem Capinam, tem você
novembro - 72
trisTERESIA chorou
o monge parou no leito
e o boi-bumbá em silêncio
cantou lá no barrocão
como se tudo morresse
como se tudo sumisse
e Teresina em protesto
subitamente esfriasse
novembro – 72
trisTERESINA inda chora
a morte do seu poeta
Torquato Neto – seu filho.
Venâncio do Parque
Con(VERSO): Walber Farias e Cinen de Sousa
Pacato Cidadão
Cinen de Sousa, natural de Teresina/PI. Um misto de simpatia e humanidade. Descoberto em meados de 85 nas oficinas da Thesaurus Editora. Na época responsável pela Área de Projetos Gráficos. O cuidado e o zelo com que trabalhava, e a atenção especial com a poesia e os poetas, despertava admiração de todos ali. Dizia-se privilegiado e feliz com o que fazia. E não era pra menos, pois contava na sua equipe com pessoas envolvidas de corpo e alma, nos projetos e editoração de boa parte dos escritores de Brasília. Trabalhava e convivia com figuras como o poeta Omar Brasil Lobo, um revisor formidável e profundo conhecedor de editoração, - uma espécie de guru. Desse convívio veio a conheceu e compartilhar da amizade dos poetas/escritores; Fernando Mendes Viana, Domingos Carvalho da Silva, a professora Maria de Lourdes Teodoro, Salomão Sousa, José Godoy Garcia, do multimídia e também poeta Hugo Mund Junior, da artista plástica Naura Timm, dentre outros. Foi também aluno aplicado e merecedor de elogios de Nanche Las-casas. Em 86, para nossa surpresa, nos chega às mãos o livro: “Pássaros de Vidro”, com apresentação do professor de literatura da UnB, Cassiano Nunes; autor de “Prisioneiro do Arco-Íris, e maior conhecedor da obra de Monteiro Lobato. Walber Farias: O que o trouxe a Brasília? Cinen de Sousa: Sou filho de ex-candango! Na época da construção de Brasília a palavra “candango” era usada para designar os operários. Felizmente hoje Candango é todo aquele que nasce ou reside em Brasília. Como a maioria dos nordestinos, meu pai veio trabalhar na construção desta cidade. Bravos Nordestinos! Se hoje Brasília não representa na sua totalidade o que esperava seu idealizador, pelo menos no que concerne a interiorização do Brasil; hoje, isto é fato. O que nos leva a crer na capacidade intuitiva, ou quase profética de JK, no pedido a Niemeyer: “Quero um palácio que, daqui a cem anos, ainda seja admirado", certamente se referiu a cidade... Meu pai em suas muitas histórias/conversas nos dizia que o que mais chamava atenção era o sentimento que todos ali tinham - os operários - uma espécie de fascínio por aquele sonho alheio; o sonho de JK, que como o tempo se tornara de todos... Cheguei em 83, e o que me trouxe aqui, foram as várias oportunidades, diferentemente de Teresina, capital do Estado do Piauí, uma cidade com pouco mais de 377.000 mil habitantes e poucos recursos para investimentos. Maneiras que aqui estou eu, vislumbrado e bebendo dessa luz... Walber Farias: Os artistas e intelectuais consideram Brasília uma cidade muito bela, seus traços... O céu de Brasília; quem já não ouviu cantado! E você?! Cinen de Sousa: Todos querem cantar Brasília. As homenagens são tantas: justas e belas... A prova disso é a música “Suíte Brasília” de Renato Vasconcelos, considerada o Hino da Cidade, a meu ver, a mais bela das homenagens à Brasília. Tom Jobim e Vinícius de Moraes vieram para cá a convite de JK, e daí saiu a “Sinfonia da Alvorada”, música: Tom Jobim e texto: Vinicius de Moraes, também belíssima. Olhando com o carinho que a cidade merece, Brasília representa mais que sua Arquitetura. Brasília é bem mais que levam os postais... O céu de Brasília é enorme, de um azul deslumbrante. Às vezes parece palpável; parece mar, mas infelizmente não é... Walber Farias: Sua estréia se deu nos Jornais Alternativos; fato que marcou bem os áureos anos 80, em vários cantos do país. E o primeiro livro? Cinen de Sousa: No meu bairro dizia uma máxima de que todos que ali moravam, eram verdadeiros artista... Lembrando Euclides da Cunha, o nordestino é antes de tudo um forte, eu acrescentaria que o Nordestino tem que ser um artista nato. Sabe aquela de ter que matar um leão por dia... É a mais pura verdade! No Nordeste o sujeito tem que ser especial, tem que ser artista no sentido mais amplo da palavra. Tive a oportunidade de estudar numa escola que desenvolvia um Projeto Piloto no Estado. Dentre outras coisas; lembro-me que o Grêmio Estudantil era atuante, fazendo valer o princípio de alunos participativo, ou seja, todos tinham que praticar alguma atividade; fossem nos esportes, lazer e principalmente cultura... Ouvia-se nos intervalos/recreio, o que havia de melhor, a exemplo de “Ébano” de Luiz Melodia, “Começaria Tudo Outra Vez”, “Galope” de Gonzaguinha, "Moça" de Wando e muitos outros que despontavam na MPB. Ali se fazia uma espécie de Movimento Cultural que partia da escola para a comunidade, indo parar nas bases eclesiásticas e políticas. O que leva a crer que foram em meio a estas coisas que tudo começou... O Mural da Escola, um texto em homenagem as mães... Depois vieram os Jornais Alternativos, e daí por diante. Em 81, lancei “Coração esguelha Bicho”, com apresentação do Acilino Madeira e ilustrações do Antônio de Pádua Amaral. Walber Farias: Qual sua fonte, e o que o inspira? Cinen de Sousa: Todo dia acontecem coisas novas. Todo dia renascemos e morremos um pouco... Adoro o poema “O Dia da Criação”, de Vinícius de Moraes, na parte II, onde são relacionados acontecimentos de um dia de sábado. Estar atento aos acontecimentos ao nosso redor... A leitura ajuda muito. No entanto, nunca fui um voraz leitor! Acredito que a leitura está ligada diretamente ao jeito de ser de cada pessoa, lemos aquilo o que nos interessa. Mas, sendo eu filho de professora, logo na infância fui estimulado à leitura. Assim descobri Rubens Braga. Gostava da maneira de como ele abordava o dia-a-dia das pessoas, nas suas peculiaridades. No colégio fui aos poucos me identificando com a poesia e aprendendo a gostar de ler Carlos Drumond de Andrade, Pablo Neruda, as crônicas de Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Umberto Eco, parte da obra de Jorge Amado... Da literatura piauiense, “Os que bebem como cães”, de Assis Brasil, o escritor piauiense de maior destaque no cenário nacional, “Rio Subterrâneo”, de O. G. de Carvalho, e o poeta H. Dobal, que passei a conhecer/ler melhor depois que cheguei a Brasília. Quando ainda adolescente participei de um grupo de amigos, que trocávamos idéias, livros e discos. Mas, foi morando em Brasília e o convívio com povos de outros lugares/países que estou tendo a oportunidade de ler e conhecer coisas novas. - Nada em especial que me faça mudar o jeito de andar com as palavras...
Continuação...
Walber Farias: O que você atribui a um bom poeta?
Cinen de Sousa: A pessoa humana do poeta. Ás vezes brinco, dizendo que existem POETAS e pessoas que fazem poesia... O poeta é aquele que tem entre outras coisas, a alma de poeta. Em Teresina temos um caso assim; o POETA William Soares. Ninguém o chama pelo nome, o chamamos de POETA. Ainda que seja Torquato Neto, o poeta de maior reconhecimento/expressão, ainda assim, o POETA em Teresina é William Soares. Com todo respeito! A duras penas tento fazer o melhor... Tenho me dedicado para não ser só mais um no universo de bons poetas.
Walber Farias: Sua poesia é uma poesia lírica, romântica, não?!
Cinen de Sousa: Sim! É quase impossível não ser romântico, tendo nascido e vivendo num país como o nosso... Apesar dos contrastes! Um país de inúmeras maravilhas; o nosso futebol de Pelé, o samba de Noel e Paulinho da Viola, o carnaval de Joãozinho Trinta. De maravilhas naturais; o Pantanal Mato-Grossense, o Delta do Rio Parnaíba, que só conheço de fotografias; - tenho medo de viagens de barco, jamais faria um cruzeiro... Sim! A Floresta Amazônica de Chico Mendes... Sou um apaixonado por tudo que é belo. Ah! Os olhos da poetisa Maria Tereza... (Risos!). Quão inspiradores; - “aquele imenso canavial...”. Ainda muito cedo percebi que o amor é o caminho mais fácil de dizer as coisas; não importando a quem, quando, e onde... Escrevi “Pássaros de Vidro”, em puro êxtase, numa destas enfadonhas tarde de Brasília. Ah, se pudéssemos ser românticos sempre...
Walber Farias: Você diz que não definição a poesia que faz. Sendo assim, o que credita que escreve?
Cinen de Sousa: Houve um tempo em que os jovens poetas da minha cidade escreviam/pinchavam os muros, (naquela época já havia proibições...) com lindas frases românticas às suas musas, entre umas e outras de efeito político. E vislumbrava com aquilo, achava que fazia efeito imediato nas pessoas... A reação que aqueles textos provocavam. Na verdade, ali se desencadeava uma manifestação poética, muito embora não se tivesse a exata noção do fato.
Hoje trabalhando com editoração, percebo a dificuldade que é publicar um livro. Se a poesia tivesse mais espaços... Acho muito legal as atitudes/inventivas do poeta Chacal, os “Varais de Poesia” por exemplo, que ele faz, na praia, no calçadão... São coisa que dão movimento ao texto; o fazer mexer com as pessoas. Acho válido, muito louvável.
Walber Farias: O que considera fundamental para seu processo criativo?
Cinen de Sousa: A originalidade e a síntese, mescladas a uma dose sutil de bom humor. A propósito, citaria um trecho da apresentação do professor Cassiano Nunes no livro “Pássaros de Vidro”, onde ele diz: A Poesia fundamentalmente busca a capitação do essencial, do mais íntimo, e, por conseguinte, elimina tudo que é prosa, mero descritivo, o anedótico, o didático, o político... A Poesia é uma linguagem tênue, porventura etérea. Abstrai, sintetiza, dissolve impurezas, o áspero biográfico. Retém apenas o medular dos sentimentos, o cerne mais profundo das paixões. Rejeita o meramente confessional, que lhe parece indiscreto, importuno. Poesia é ultra-síntese. Mais do que isto: poesia é elipse. Com muita razão dizia Verlaine que reduzia Poesia à música, à vaga música, que “todo o resto é literatura”. Talvez até boa literatura, mas não poesia.
Walber Farias: Você é amigo do poeta/repentista Amargedom, e também agitador cultural de Brasília. Por que não participa dos eventos do qual ele organiza?
Cinen de Sousa: O Amargedom é uma grande figura. Todo dia aparece com uma idéia nova. Tem muita vontade de ficar rico, se dar bem na vida... Somos amigos de trabalho! Sou grande incentivador dele. Recomendo/sugiro sempre a usar o nome verdadeiro: Gustavo Dourado. Em 91 fui responsável pelo projeto gráfico do livro “Linguátomo”. Por sinal; um elogiável projeto e um livro recomendável. Com relação aos eventos que ele promove; pra falar a verdade eu até que participo, bem modestamente. Em particular, evito os recitais... Pelo fato da timidez e principalmente por não saber recitar. “Recitar é uma Arte”. Recitais me lembram os amigos e poetas Carlos Taveira, Menezes y Moraes e Cassiano Nunes, estes sim; são verdadeiros craques na Arte de Recitar. Certa vez na Livraria Presença, aquela da frente do Hospital de Base, numa noite de autógrafos dos muitos que lá aconteciam, subi ao palco para ler um poema meu e nada sóbrio, falei meio hora do “Poema Sujo” de Ferreira Gullar. Quem me conhece sabe bem o quanto sofro do pânico de público.
Walber Farias: Como você ver a nova geração de escritores/poetas, em especial os editados em Brasília?
Cinen de Sousa: Já fui mais exigente! Hoje é quase uma necessidade que tenho de acompanhar o que estamos publicando. Há muita gente boa... Mas, seria pretensão apontar algum caminho. Tenho observado que a galera vem fazendo/escrevendo com mais liberdade. Fugindo de algumas variantes de estilos, métricas, rimas e etc. A moçada jovem está mais solta. Creio que o resultado disto é que venha ser a grande surpresa.
Nicolas Beher, TT Catalão, Luis Turiba e outros, poetas de versos livres e bem humorados. Acredito que humor e jeito despojado na poesia recente, é que é o grande barato, a novidade.
Walber Farias: Finalizando ao que chamo não de entrevista, mas sim; um agradável bate-papo, Cinen de Sousa, fique avontade e nos diga o que pensa fazer e ainda não fez como cidadão e poeta?
Tenho fascínio pelos trabalhos manuais. Hoje sou um artesão com os dias contados. O computador está vindo como um facilitador, um aliado... Certamente em breve, algo irá mudar a minha rotina. Recentemente fiquei muitíssimo impressionado com um documentário sobre Artur Bispo do Rosário, - sua obra: Suas múltiplas possibilidades estética, possíveis de discussão e avaliação, e principalmente, sua contribuição para a arte brasileira de vanguarda. Em seguida, a melhor parte; onde reciclava e reedificava com minúcia e riqueza de detalhes os objetos; materiais descartados, encostados, inservíveis. Na verdade limpava o mundo, sem dúvida uma atitude/processo elogógico.
Outro dia estava eu de visita a cidade de Pirenopólis/GO, assistia na TV/local, um programa que apresentava um cara fazendo violas numa pequena oficina dessas nos fundo de casa. Fiquei deverasmente boquiaberto! Ah, valeu a visita àquela cidade... Como sempre, a velha e fascinante idéia de liberdade... Sou casado com Oneide Ferreira, uma artesã e professora de pinturas.
Apesar de não ter nenhum conhecimento técnico, tenho maior gosto pelas Artes Plásticas. As cores, telas, pincéis, todo me encanta.
Se me fosse dado escolher e tivesse talento, certamente seria um artista plástico. E adotaria a mesma proposta do universo de Bispo do Rosário.
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Bate papo realizado em abril de 91, publicado na 2ª edição do jornal “O Gato”, Ano II, Brasília/DF. Mantida a reprodução do original.
TERESINA, Cidade Luz
(Poema alusivo ao 156º. Aniversário)
I.
Sob as graças da fé
E o nome da cordial Imperatriz
Nascera altiva, vistosa entre - rios...
A propósito, Saraiva planifica reticulados tabuleiros
Traços retos, raios em vértices, futurista.
(Às vezes pouco distraída...)
Não muito distante
Ás 5 horas da manhã
O apito do trem anunciava os anônimos chegando
Sem sobressaltos à paisagem aparente
Ás 6, já refestelada de sol
Cristalina, amante de poetas.
II.
Hoje mais avultada
E vertical, se arvora a engolir quintais
Na Benjamin Constant, nº. 1905
Há exato um século, ainda contam de memória
Sobre um mocó repleto de estórias
E algumas meias-patacas.
Teresina, eu também vou te cantar
O meu atrevido amor...
Senão a inaudível dor
Senão a inquietude de um poema sem metáforas.
(Menino e já sabia das moedas do avaro tio Mariano, enterradas no quintal,
e o peso daqueles mensuráveis apitos.)
Cinen de Sousa
Pré B-r-o-bros
Desfaça
Essa marra
Do rosto
Ponha
Nele um sorriso
Afinal
É Agosto
(Cinen de Sousa)
ROBERT JOHNSON
A LENDA DA ENCRUZILHADA
As lendas podem vir de tradições populares, de eventos históricos cuja autenticidade não se pode provar, de mentes fantásticas e/ou irônicas. Provavelmente nunca saberemos a verdade de nenhuma delas e é isso o que as tornam tão sedutoras e especiais.
Do folclore nacional (saci, curupira, mula-sem-cabeça, caipora) aos boatos da nova era que permeiam nossa imaginação e aguçam nossa curiosidade. O hambúrguer do Mc Donalds é mesmo feito de minhoca? A Coca-Cola realmente corrói os dentes e desentope pia? Os elefantes temem os ratos pelo simples fato de os pequenos roedores adentrarem em suas trombas? O vírus da AIDS foi mesmo criado em laboratório? As pegadinhas do João Cleber são grandes farsas (dentre uma infinidade) da televisão brasileira?
Na música a coisa não é nada diferente. Elvis não morreu e vive numa ilha junto com Tupac Shakur. David Bowie dormiu com Mick Jagger enquanto Keith Richards cheirava as cinzas de seu pai. Michael Jackson não tinha nariz e quem morreu mesmo foi o Paul McCartney. Marilyn Manson arrancou duas costelas pra fazer sexo oral em si mesmo de tanto ouvir que ele na verdade é o Paul Pfifer do seriado Anos Incríveis. Lucy In The Sky with Diamonds tem as iniciais que compõe a sigla LSD. Enfim, elas existem e continuam a se reproduzir e a se distorcer a esmo. Mas de todas as lendas, de todo o universo musical, uma se destaca.
Robert Johnson é um dos nomes mais cultuados do Blues. O impacto que esse homem tem na história do Blues é tão potente quanto nomes consagrados como Muddy Waters, B.B. King ou John Lee Hooker. Seu jeito inovador (para a época) de tocar é tão interessante quanto as lendas que cercam sua breve vida que foi encerrada aos 27 anos (a data exata é incerta), iniciando mais uma lenda: A maldição dos 27 (só pra reforçar, Hendrix, Joplin, Morrison, Cobain. Todos exemplos de morte aos 27 anos).
O TRATO COM O DEMO
Seu nome verdadeiro é Robert Leroy Johnson e como haveria de ser, nasceu e cresceu no Mississippi (um dos berços do Blues, juntamente com Louisiana, Geórgia e Alabama). Reza a lenda que Johnson adquiriu incrível talento para tocar vendendo sua alma ao diabo perto da meia-noite, numa encruzilhada da rodovia 61 com a 49, levando consigo uma garrafa pela metade de whisky e sua Dobro 1927 californiana com as cordas tão velhas que abria cortes em seus dedos longos e finos. Logo após o momento Faustiano firmado com o demônio, Robert Johnson viria compor o que para muitos são os “maiores blues de todos os tempos”. A influência de Johnson é tanta que nomes como Muddy Waters, todo o Blues elétrico de Chicago dos anos dourados de 50, Eric Clapton, Rolling Stones e White Stripes (que gravou a música Stop Breaking Down em seu álbum de estréia) se declaram fãs incondicionais de seu trabalho.
Tanta importância pra pouco registro. O que se sabe da carreira de Johnson estão nas 42 faixas gravadas em duas sessões feitas em 1936 que lhe renderam 29 canções que podem até espantar os mais desavisados devido à qualidade (obviamente estamos falando de músicas gravadas no começo do século). Mas a importância e a criatividade são tão anormais que, mais de 50 anos depois, o endiabrado Robert Johnson ganhou um Prêmio Grammy e um Disco de Ouro.
Em 1990 a gravadora Columbia Records lançou uma série de cds intitulada Roots n’ Blues Series que continham todas as músicas de Johnson e, o que era uma estimativa de vendas de 20.000 cópias, renderam mais de 500.000 cópias espalhadas pelo mundo (sim, vou escrever por extenso: quinhentas mil cópias). Sua figura é tão mítica quanto sua morte. Com causa não definida, mas com muitas especulações, dizem os mais antigos que Robert morreu rastejando-se de quatro em um corredor de hotel, uivando feito uma besta. Seria o fim do contrato com o… You Know Who (muitas de suas músicas citavam o diabo, o inferno e a luta do bem contra o mal).
Lendas à parte, o que fica para os dias de hoje é a música de imenso magnetismo, carregadas de riffs e levadas por uma voz tentadora como o próprio inferno. Robert Johnson deixou seu legado no Blues e fez história ao contribuir fortemente com a padronização da estrutura consagrada dos 12 compassos. Uma relíquia que transcende os fatos soturnos e ilumina a estrada do Blues.
Fonte: PdH - Jader Pires
AMIGOS, AMIGOS...
Á lista de diletos amigos, da qual me furto o direito de não mencionar nomes, para não cometer injustiça.
Amizade
Como o amor
É acontecimento
Dar-se por se dar
Espontâneo
E ponto final
(Cinen de Sousa - The 20jul09)
(17 de Julho)
Preservar florestas é sinônimo de proteger a vida
As Florestas têm sido ameaçadas em todo o mundo, pela degradação incontrolada
Isto acontece por terem seu uso desviado para necessidades crescentes do próprio homem e pela falta de um gerenciamento ambiental adequado.
As florestas são o ecossistema mais rico em espécies animais e vegetais. A sua destruição causa erosão dos solos, degradação das áreas de bacias hidrográficas, perdas na vida animal (quando o seu o habitat é destruído, os animais morrem) e perda de biodiversidade.
Agora podemos perceber como o dia 17 de julho - Dia de Proteção às Florestas - é fundamental para que possamos lembrar da importância de conservarmos nossas florestas: aumentar a proteção, manter os múltiplos papéis e funções de todos os tipos de florestas, reabilitar o que está degradado. Isto é, preservar a vida no planeta.
Em termos de diversidade biológica, o Brasil tem uma situação ímpar no mundo. Calcula-se que cerca de um terço da biodiversidade mundial esteja em nosso país, em ecossistemas únicos como a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, os cerrados, áreas úmidas e ambientes marinhos, entre outros.
Só a Amazônia, o maior dos biomas (o bioma é o conjunto dos seres vivos de determinada área) da América do Sul, é metade das florestas tropicais do mundo, com valores altíssimos em termos de biodiversidade, além do enorme potencial genético.
E a Mata Atlântica, desmatada desde os primórdios da colonização do país em ciclos econômicos agrícolas (as plantações de cana de açúcar e de café) ocupada pelo estabelecimento histórico de vilas e cidades acompanhando o litoral, teve o mais alto grau de desmatamento e conseqüentemente o mais alto grau de perda dos habitats originais. Hoje, o que restou (menos de 8% de sua área primitiva), está fragmentado, sendo melhor a situação na parte costeira da Mata Atlântica (onde o relevo acidentado ajudou na conservação), principalmente em São Paulo, e pior no interior (onde o relevo de planaltos favoreceu a ocupação).
Quando uma floresta deixa de existir, perdemos fauna e flora e isso pode provocar, ainda, o desequilíbrio da cadeia alimentar. Com as espécies carnívoras diminuindo, cresce o número de herbívoros, que podem vir a extinguir mais tipos de vegetais.
A perda da cobertura vegetal causa a degradação do solo e, conseqüentemente, a desertificação.
A destruição das florestas afeta, também, o clima, já que elas têm importante papel na manutenção da temperatura, nos ventos e no ciclo das chuvas.
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística


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